terça-feira, 1 de março de 2011

Ultrapassagem não Permitida - Considerações sobre Respeito e Limites

O que se quer, o que se deseja ter, o que podemos conseguir, o que consideramos ser o melhor... São tantas as circunstâncias que estamos expostos dia a dia, que se torna importante uma reflexão mais calma, mais coerente acerca da ação e a prática de respeitar.

Se o respeito é bom, o respeitar é ainda melhor, aliás, muito melhor, pois é a ação de se conhecer e entender os limites do outro, não se esquecendo nunca da importância de respeitar a nós mesmo, de respeitar os nossos próprios limites.

Todos nós só podemos dar ao outro aquilo que temos. Talvez seja por isso que muitas pessoas cometem os maiores desrespeitos por aí, pois não sabem ou fingem não saber respeitar as limitações naturais de cada um de nós e, ainda que hoje esses limites possam não ser tão evidentes, um dia eles se tornarão tão óbvios como tinta preta em pano branco.

Um exemplo bastante claro disso é quando alguém estaciona seu veículo numa vaga para idoso, ou seja, o indivíduo infrator finge não saber que à medida que os anos passam, a ordem das coisas também sofrem mudanças.

De um modo até mesmo bastante evidente, um dia esse mesmo indivíduo estará no lugar do outro, ou seja, ele necessitará que o outro não seja como ele, que o outro aja com respeito, característica que um dia fingiu desconhecer.

O respeito, contudo, é detentor de uma imensa complexidade, mas não precisa ser entendido como uma obscuridade, pois a vida é a melhor escola para nos iluminar e nos ensinar quais as fronteiras que não podem ser desconsideradas.

Entretanto, apesar de tratarmos de um assunto relativamente comum a algumas pessoas, as linhas deste artigo não darão conta de esgotar este assunto, pois é preciso se ter respeito até daquilo que não está sob nosso controle.

A partida de alguém que queremos ter por perto, a ausência de recursos financeiros, as limitações físicas advindas pela muita idade, o casamento de um filho, a viagem de negócios de alguém que acabou de chegar, por exemplo, são maneiras de se tentar explicar a dimensão da necessidade de se respeitar.

São tantas as situações que precisamos levar em conta e agir com respeito, que se torna clara a importância de um olhar mais atento, mais sensível. inclusive, até mesmo situações como o grito de alguém que está em momento de tédio, a euforia de uma pessoa diante do nosso “pouco caso”, o mau humor de algumas pessoas pela manhã e/ou a visão de mundo tão distante da nossa de um aluno lá da escola que lecionamos precisam e são dignas de respeito dentro dos limites que também cabem para nós.

O respeito é como um limite que não se pode ultrapassar, parece que há alguém ali segurando uma placa de “pare”, dizendo chega, aqui é o limite, é o meu e o seu limite. É claro que há sempre métodos que nos permitem uma ultrapassagem, mas, tal como num trânsito, se a ultrapassagem é proibida é porque, no mínimo, há grandes chances de se ter acidentes, os quais podem ser fatais.

Quantas brigas, discussões, palavras carregadas de insensatez poderiam ser evitadas se pudéssemos ser capazes de respeitar, quantos beijos poderíamos dar a mais em nossos filhos se soubéssemos mesmo considerar seus pontos de vistas, quantas amizades poderíamos ter conquistado se detivéssemos em nós o poder de oferecer respeito ao outro.

Quantas maravilhas poderíamos fazer se conseguíssemos respeitar o poder que não temos sobre o viver e o morrer, poder este que está apenas nas mãos de Deus. Quantas dores de estômago teríamos nos livrado se respeitássemos o fim de um romance, a transitoriedade de um emprego, a mudança e o encerramento de um ciclo ao descobrirmos que ele se tratava apenas de momentos, de momentos que agora estão findos...

É, pelo que se percebe, ainda há muito que aprendermos acerca do respeito. Estamos falando sobre os muitos limites, aquilo que é a divisa entre uma extremidade e outras.

Estamos falando acerca da linha de chegada, do encerramento, da conclusão e da finalização de uma série de circunstâncias que um dia julgamos ser a condição para sermos plenos, felizes e termos paz, a qual pode nos acompanhar mesmo que o “mar” esteja, temporariamente, revolto.

Texto de Erika de Souza Bueno, consultora-pedagógica de Língua Portuguesa do Planeta Educação

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Poder da Gentileza - Eduardo Shinyashiki

Buscamos cada vez mais a interatividade, por meio do avanço tecnológico e do desenvolvimento da civilização. Passamos o dia inteiro conectados a pessoas das mais variadas localidades, somos capazes de estabelecer contato com praticamente todos os cantos do planeta, a hora que quisermos. Porém, as relações interpessoais próximas parecem cada vez mais superficiais, e, seguindo por este caminho, da distância e indiferença, palavras como cortesia, empatia e amabilidade parecem mais além da nossa realidade, dia após dia.

Afinal, será que a vida moderna dificulta relações com gentileza, ou é possível ser uma pessoa ocupada, sem abrir mão da delicadeza no trato com o outro? Como ser gentil enquanto enfrentamos o trânsito caótico das grandes cidades e o dia-a-dia tão cheio de tarefas e obrigações? São tantos os motivos que podemos facilmente nos convencer de que a falta de cuidado com o próximo não é nossa culpa, assim como a forma como somos tratados. Estamos acostumados a ver a agressividade exaltada, considerada um meio indispensável para o sucesso, é elogiado o homem forte, o executivo agressivo, duro e arrogante. Será que essas atitudes conquistam a confiança alheia e o sucesso duradouro?

O que acabamos esquecendo é que, antes de tudo, o ato de ser gentil beneficia, mais do que a qualquer outro, a nós mesmos. Uma teoria publicada pelo professor Sam Bowles, do Instituto Santa Fé (EUA), chamada de “sobrevivência do mais gentil”, afirma que a espécie humana sobreviveu graças à gentileza. Segundo Bowles, os grupos altruístas cooperam e colaboram mais para o bem-estar do próximo e da comunidade, a fim de garantir a sobrevivência. Outro estudo, realizado pela professora Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, demonstrou também que a gentileza pode nos deixar mais felizes. Ela pediu a um grupo que praticasse atitudes gentis durante dez semanas, e verificou que a felicidade aumentou consideravelmente no período do estudo.

Gentileza significa uma boa educação emocional, aprendida e desenvolvida em todos os ambientes que convivemos. É o bom tratamento, uma qualidade ou caráter de alguém nobre, generoso, que ajuda a manter e fortalecer os laços entre as pessoas. As pesquisas nos mostram que ser gentil tem uma finalidade pessoal e coletiva, é a prova de que quando tomamos atitudes em prol do outro, automaticamente, e muitas vezes sem perceber, recebemos de volta o bem que fizemos.

A teoria do professor Sam Bowles pode ser demonstrada por brigas no trânsito, por exemplo, em lugares com uma concentração grande de pessoas, onde vidas se perdem pela simples falta de compreensão com as atitudes alheias. Vivemos na defensiva, temendo que os outros possam nos machucar. Mas há diversas formas de se comprovar que atitudes mais solícitas e gentis só tendem a melhorar a qualidade de vida e as relações interpessoais. Sabemos, também, que só temos a ganhar quando privilegiamos a gentileza, ao invés da brutalidade e ignorância.

A grande característica da gentileza é que ela está presente, na maioria das vezes, nas atitudes cotidianas e simples. Ouvir mais, por exemplo, ser paciente, justo e solidário, são atitudes simples, mas importantes para tornar-se uma pessoa mais próxima perante o outro. Estimular a amizade pode ser uma forma de se exercer a generosidade e a gentileza.

O que nunca devemos nos esquecer é que o poder de modificar aquilo que nos cerca está dentro de nós, a parte mais importante do trabalho acontece no interior do nosso ser, purificando nossos corações. Somente nós mesmos transformaremos nossas vidas em existências mais dignas, plenas e verdadeiras.

Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos. Colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros: Viva como Você Quer Viver e A Vida é Um Milagre, Editora Gente, disponíveis em AudioLivro pela Editora Nossa Cultura. Para mais informações, acesse www.edushin.com.br

Artigo publicado no site Planeta Educação.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Desrespeito com os professores catarinenses

É impressionante a maneira como o atual governo de Santa Catarina trata os professores da rede estadual de ensino. Na edição do dia 11 de novembro de 2010 do Diário Catarinense (página 32), o atual secretário da educação, Silvestre Heerdt, em resposta aos questionamentos sobre as mudanças no Ensino Fundamental de oito para nove anos, principalmente sobre a questão da reprovação nas 5ª séries, desrespeita os professores e o sindicato (Sinte) ao dizer que: “Eles não estão preocupados com a aprendizagem do aluno. Estão mais preocupados em perder turmas para dar aula.”

A redução no número de aulas nas séries finais do ensino fundamental pode até ser um dos motivos das reclamações dos professores, mas daí dizer que os mesmos não se preocupam com a aprendizagem dos alunos? É de se lamentar ouvir isso de uma pessoa que coordena a educação em nosso estado. Depois de tanto tempo sendo ignorados pelo então secretário Paulo Bauer, onde foi criado um abismo entre governo e educadores, somos agora obrigados a ouvir do atual secretário um absurdo dessa magnitude. Quem não está preocupado com a aprendizagem e muito menos com os professores é justamente o governo, que não valoriza os profissionais que trabalham no magistério catarinense.

O professor está sim preocupado com a perda de aulas, pois é uma forma de aumentar um pouco a sua renda. Quem sabe se o governo tivesse se preocupado mais em proporcionar momentos de formação continuada e aplicado o Piso Nacional dos Professores ao invés de entrar na justiça contra uma lei federal que torna mais digna essa profissão tão desvalorizada nas últimas décadas, não teríamos tais problemas com a educação catarinense. Resta saber o que nos espera nos próximos quatro anos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aproveite os momentos bons e ruins em sua vida.

O livro Picos e Vales, de Spencer Johnson, relata a história de um jovem que aprende a refletir sobre os caminhos que escolheu e percebe que, entre dois picos, há sempre um vale: um momento em que devemos avaliar nossas conquistas e nos concentrar nos objetivos que desejamos alcançar. Abaixo, cito os principais pontos desta reflexão. Leia e aplique em sua vida pessoal ou profissional e saiba como administrar melhor os altos e baixos que vivemos.

TEORIA DOS PICOS E VALES

COMO USAR SEUS PICOS E VALES NO TRABALHO E NA VIDA PESSOAL

É NATURAL QUE TODO MUNDO EM TODA PARTE TENHA PICOS E VALES NO TRABALHO E NA VIDA PESSOAL.

OS PICOS E VALES NÃO SÃO APENAS OS MOMENTOS BONS E RUINS QUE ACONTECEM COM VOCÊ.

SÃO TAMBÉM O MODO COMO VOCÊ SE SENTE INTERNAMENTE E COMO REAGE AOS ACONTECIMENTOS EXTERNOS.

PICOS E VALES ESTÃO LIGADOS.

OS ERROS QUE VOCÊ COMETE DURANTE OS BONS MOMENTOS HOJE GERAM OS MAUS MOMENTOS DE AMANHÃ.

E AS COISAS SÁBIAS QUE VOCÊ FAZ DURANTE OS MOMENTOS

RUINS HOJE GERAM OS BONS MOMENTOS DE AMANHÃ.

PICOS SÃO OS MOMENTOS QUE VOCÊ VALORIZA O QUE TEM.

VALES SÃO OS MOMENTOS EM QUE VOCÊ SENTE FALTA DO QUE NÃO TEM.

NÃO PODEMOS CONTROLAR SEMPRE OS ACONTECIMENTOS EXTERNOS, MAS PODEMOS CONTROLAR

NOSSOS PICOS E VALES PESSOAIS COM O QUE ACREDITAMOS E COM O QUE FAZEMOS.

O CAMINHO PARA FORA DO VALE SURGE QUANDO VOCÊ DECIDE VER AS COISAS DE OUTRA FORMA.

PODEMOS TRANSFORMAR NOSSO VALE NUM PICO QUANDO IDENTIFICAMOS

E TIRAMOS PROVEITO DO BEM OCULTO NOS MOMENTOS RUINS.

ENTRE CADA PICO SEMPRE HÁ VALES.

O MODO COMO ADMINISTRA CADA VALE DETERMINA O TEMPO QUE LEVARÁ PARA ATINGIR O PRÓXIMO PICO.

É POSSÍVEL TER MENOS MOMENTOS RUINS QUANDO VALORIZAMOS E

ADMINISTRAMOS OS BONS MOMENTOS COM SABEDORIA.

O MOTIVO MAIS COMUM PELO QUAL VOCÊ FICA POUCO TEMPO NUM PICO

É A ARROGÂNCIA DISFARÇADA DE SEGURANÇA.

O MOTIVO MAIS COMUM PELO QUAL VOCÊ FICA MUITO TEMPO NUM VALE É O MEDO,

DISFARÇADO DE CONFORTO.

UMA EXCELENTE FORMA DE ATINGIR O PRÓXIMO PICO E SEGUIR SUA VISÃO SENSÍVEL.

IMAGINE-SE APROVEITANDO ESSE FUTURO MELHOR EM DETALHES TÃO ESPECÍFICOS E

VEROSSÍMEIS QUE EM BREVE TERÁ PRAZER EM FAZER O QUE O LEVARÁ LÁ.

O SOFRIMENTO NO VALE É CAPAZ DE DESPERTÁ-LO PARA UMA VERDADE QUE PODIA ESTAR IGNORANDO.

EVITE ACREDITAR QUE AS COISAS ESTÃO MELHORES DO QUE REALMENTE ESTÃO, QUANDO ESTIVER

NUM PICO, OU PIORES DO QUE REALMENTE ESTÃO, QUANDO ESTIVER NUM VALE.

FAÇA DA REALIDADE SUA AMIGA.

O PICO PESSOAL É UMA VITÓRIA SOBRE O MEDO.

CRIAMOS UM PICO QUANDO SEGUIMOS VERDADEIRAMENTE NOSSA VISÃO SENSÍVEL.

NOSSO MEDO DIMINUI E NOS TORNAMOS MAIS TRANQUILOS E BEM- SUCEDIDOS.

É POSSÍVEL SAIR DE UM VALE MAIS RÁPIDO QUANDO CONSEGUIMOS SAIR DE NÓS MESMOS: NO TRABALHO, SENDO MAIS ÚTEIS, NA VIDA PESSOAL, SENDO MAIS AMOROSOS.

Retirado dos livro Picos e Vales, de Spencer Johnson, autor do Best seller Quem Mexeu no Meu Queijo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bullying: o que é?

Atos agressivos físicos ou verbais só são evitados com a união de diretores, professores, alunos e famílias

Bullying é uma situação que se caracteriza por atos agressivos verbais ou físicos de maneira repetitiva por parte de um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo inglês refere-se ao verbo "ameaçar, intimidar". A versão digital desse tipo de comportamento é chamada de cyberbullying, quando as ameaças são propagadas pelo meio virtual.

Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas. E todo ambiente escolar pode apresentar esse problema. "A escola que afirma não ter bullying ou não sabe o que é ou está negando sua existência", diz o médico pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), que estuda o problema há nove anos.

Segundo o médico, o papel da escola começa em admitir que é um local passível de bullying, informar professores e alunos sobre o que é e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática - prevenir é o melhor remédio. O papel dos professores também é fundamental. Eles podem identificar os atores do bullying - agressores e vítimas. "O agressor não é assim apenas na escola. Normalmente ele tem uma relação familiar onde tudo se resolve pela violência verbal ou física e ele reproduz isso no ambiente escolar", explica o especialista. Já a vítima costuma ser uma criança com baixa autoestima e retraída tanto na escola quanto no lar. "Por essas características, é difícil esse jovem conseguir reagir", afirma Lauro. Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno reage, a tendência é que a provocação cesse.

Claro que não se pode banir as brincadeiras entre colegas no ambiente escolar. O que a escola precisa é distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. "Isso não é tão difícil como parece. Basta que o professor se coloque no lugar da vítima. O apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim?", orienta o médico. Ao perceber o bullying, o professor deve corrigir o aluno. E em casos de violência física, a escola deve tomar as medidas devidas, sempre envolvendo os pais.

O médico pediatra lembra que só a escola não consegue resolver o problema, mas é normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um agressor. "A tendência é que ele seja assim por toda a vida a menos que seja tratado", diz. Uma das peças fundamentais é que este jovem tenha exemplos a seguir de pessoas que não resolvam as situações com violência - e quem melhor que o professor para isso? No entanto, o mestre não pode tomar toda a responsabilidade para si. "Bullying só se resolve com o envolvimento de toda a escola - direção, docentes e alunos - e a família", afirma o pediatra.

Revista Nova Escola, agosto de 2009.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Por que os jovens estão tão violentos?

A agressividade faz parte da adolescência, mas os casos de violência entre os jovens aumentaram e tornaram-se mais graves nos últimos dez anos. Entender o fenômeno é o primeiro passo para previni-lo

No Rio de Janeiro, um estudante de 12 anos foi espancado por outro de 16 com golpes de porrete. Em Brasília, um aluno de 15 foi internado em estado grave após ser agredido por oito adolescentes na saída da escola. Em Natal, a polícia teve de conter um tumulto entre 60 jovens de gangues de colégios rivais. Em Matinha, a 245 quilômetros de São Luís, um menino de 11 anos matou um colega de 15 com um canivete. A impressão de que casos assustadores como esses (todos retratados pelo noticiário policial do mês de julho deste ano) têm se tornado cada vez mais comuns é confirmada pelas últimas estatísticas. De acordo com o estudo Mapa da Violência 2010, um levantamento do Instituto Sangari, em São Paulo, que toma como base a taxa de homicídios dos 5.564 municípios brasileiros, entre 1997 e 2007 o total de assassinatos entre jovens de 14 e 16 anos aumentou 30% - o maior crescimento entre todas as faixas etárias. Atônitos, pais e professores se perguntam: o que fazer para reduzir
essa escalada?

Mergulhar nas causas do fenômeno é um bom começo para ir além do choque. De início, é preciso lembrar que a agressividade tende a andar com a juventude, uma fase de descoberta também dos impulsos violentos. Na puberdade, o contato físico é uma maneira inconsciente de explorar a pele do outro. Essa atividade envolve uma experimentação que pode ganhar formas mais ríspidas, sem necessariamente indicar descontrole ou intenção de humilhar. Exemplos disso são as lutas simuladas e outras "brincadeiras de mão" típicas da fase, como ilustra o depoimento de Cecília*, 15 anos (leia o destaque acima).

Mudanças fisiológicas também explicam parte da agressividade. Na passagem para a adolescência, o centro de recompensa, área cerebral relacionada à produção de serotonina (neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar), é reduzido à metade. Como os níveis da substância caem, o adolescente tem mais dificuldade em ficar satisfeito - daí vem a irritabilidade que marca o período. Inclinado à impaciência, ele pode se alterar com qualquer contrariedade.

O ambiente social também influi. A começar pelas características de gênero (que se referem aos papéis culturais que a sociedade atribui a homens e mulheres). Um exemplo: a partir do momento em que um garoto desafia o outro numa briga, a recusa é vista como uma falta de virilidade, já que a dominação e o perigo são tidos como características masculinas. Isso ajuda a entender porque 90% das agressões em ambiente escolar são cometidas por meninos.


Revista Nova Escola, edição nº 235, setembro de 2010.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Dica de filme

“Tá Chovendo hambúrguer”
Comida de graça para todo mundo

Desenho do personagem Flint sorrindo olhando para cima e pegando um sanduíche em meio a uma chuva de hambúrguer

“Como era difícil ser eu”, é assim que “Tá chovendo hambúrguer” começa, ao relatar a condição que Flint Lockwood, protagonista desta belíssima animação, encontrava-se perante ele mesmo e, de um modo ou de outro, da sociedade na qual ele estava inserido.

Para Flint, a presença da mãe era fundamental, pois sempre estava disposta a incentivá-lo e a motivá-lo. Morador de uma pequena cidade, “Boca da Maré”, desde criança alimentava o sonho de se tornar um grande inventor, sendo que todas as suas expectativas para um futuro melhor passavam pela sua cidade. Esta característica de Flint mostra-nos, pelo menos, dois pontos, ou seja, o primeiro é a necessidade de sermos sensíveis às condições sociais do local onde estamos e, assim, traçarmos planos para o melhorarmos. O segundo ponto que se salta aos nossos olhos é que nada nasce grande, tudo precisa passar pelo estágio de nascimento para assim, depois, passar pelos estágios de crescimento e amadurecimento.

Diante do fechamento da “Fábrica de Sardinhas”, a qual dava fama à cidade, Flint resolve investir numa invenção para lá de original. Podemos dizer que esta invenção é o momento-chave desta empolgante animação, pois consistia em transformar água em comida, simples assim.

Amante das metáforas de pescaria, o pai de Flint tinha uma perspectiva sobre a vida muito diferente daquela que tomava conta de seu filho. Ele era mais realista, mais “pé no chão” e, para piorar, como as invenções de Flint sempre resultavam na maior confusão, seu pai passa a insistir com seu filho pedindo para ele abandonar esta ideia de se tornar um grande e reconhecido inventor e trabalhar com ele em sua loja de sardinhas. Neste ponto, o professor pode abordar a questão dos efeitos e impactos das ações-reações, pois em nossas vidas nada é jogado num vazio, há uma interligação muito forte em tudo o que fazemos ou deixamos de fazer.

Paralelamente a tudo isso, o prefeito também alimentava dentro de si o sonho de ser grande, de se tornar conhecido. Essencialmente, contudo, Flint e o prefeito eram muito diferentes, pois ao passo que Flint desejava se tornar um grande inventor para ajudar a cidade em que nasceu, o prefeito queria também se tornar conhecido por suas inovações, mas era apenas para a autopromoção. A nossa motivação, ou seja, aquilo que nos motiva verdadeiramente pode ser mais um tema para ser abordado em sala de aula.

No dia em que o prefeito realiza uma inauguração que faria da cidade um ponto de turismo, empreendimento para o qual todo o orçamento da cidade foi destinado, uma rede de televisão manda uma estagiária fazer a cobertura deste evento, é a inauguração da Sardilândia. É aqui que passamos a conhecer Sam Sparks, uma ansiosa e motivada jovem que, devido a implicância de muitas pessoas, desistiu de se comportar como “nerd” e assumiu novos rumos para sua vida profissional. A identidade de nossos alunos, ou seja, aquilo que nos identifica como sendo nós mesmos, pode ser a próxima abordagem do professor.

Como não poderia deixar de ser, a inauguração da Sardilância foi o palco para Flint dar início à sua invenção, ou seja, transformar água em comida, mais precisamente e num primeiro momento, em hambúrguer. Como era de se esperar, alguma coisa acontecer de errado com a invenção, causando a destruição de parte significativa da cidade. A cena que se segue é a de Flint fugindo dos olhares de reprovação da cidade inteira, mas principalmente da presença de seu pai. Será mesmo que fugir é a melhor opção?

Contudo, não foi tão ruim assim, pois é neste momento que Flint conhece a Sam e identifica vários pontos em comum e, para completar a alegria, descobre que sua invenção deu certo ao presenciar a chuva de hambúrguer sobre toda a cidade, que olha perplexa para aquele estranho fenômeno.

Perplexa com aquele fenômeno, a cidade começa a solicitar os mais diferenciados cardápios e, Flint, atende a todos despreocupadamente. Todos o admiram, todos o querem por amigo, todos o querem por perto, mas o único que não demonstra satisfação é o pai. Por que será que seu pai sempre assume uma posição tão diferente das demais pessoas? Será que ele não se conformava com o fato de aquelas pessoas terem à sua disposição tantos alimentos sem ao menos terem trabalhado para consegui-lo?

Próximo do desfecho do filme, percebe que a estrutura dos alimentos está sofrendo mutações e, Flint, agora, precisa decidir se deve mesmo continuar com sua invenção ou se deve dar atenção à voz de seu pai. Como sua decisão não foi pautada de sensatez, ele precisará contornar uma situação que pode colocar a população mundial em risco e, de maneira surpreendente, no momento mais difícil de sua vida, Flint recebe de seu pai o gesto de confiança que ele tanto precisava para não desistir, concedendo a nós, professores, uma riqueza de temas que podemos abordar em sala de aula, principalmente a respeito da família, base da nossa sociedade.

DVD do filme Tá Chovendo Hambúrguer em que Flint, Sam e o macaquinho estão em meio a uma chuva de sanduíches Sam está com um guarda-chuva aberto

Ficha Técnica
Gênero:
Animação e Família
Duração:
90 min.
Origem:
Estados Unidos
Direção:
Phil Lord e Chris Miller
Roteiro:
Judi Barrett e Ron Barrett
Distribuidora:
Sony Pictures
Censura:
Livre
Ano:
2009

Erika de Souza Bueno Consultora-Pedagógica de Língua Portuguesa do Planeta Educação. Professora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo. Articulista sobre assuntos de língua portuguesa e família. Editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br).

Lançado caderno da Política Nacional de Alfabetização

          O Ministério da Educação (MEC) lançou na última quinta-feira, dia 15 de agosto, o caderno da Política Nacional de Alfabetização ....